Não é Bem Assim

Estamos todos a viver um momento único na nossa história pessoal. O nosso país, não feito de pessoas como nós mas de meros humanos que, por acaso, viveram dentro das mesmas fronteiras, já passou por isto. Mas nós não.

As pessoas têm dito que vamos ganhar esta guerra.

Uns sim, outros não. Mas o país, esse aglomerado de pessoas, vai ganhar, claro que sim. Mas não importa saber que a vamos  ganhar mas saber o que isso significa. Se formos para uma batalha e morrer metade de população podemos vencer na mesma. Mas não é essa mera vitória que nos vai deixar contentes com o nosso resultado.

Na verdade, em situações destas, não há nada que nos possa deixar contentes, simplesmente algo que nos pode deixar menos desamparados, menos tristes. Se jogarmos bem, talvez possamos acrescentar um sentimento de certo orgulho em relação ao que escolhemos fazer. Podemos sair um pouco orgulhosos com a nossa própria atitude perante aquilo que é, e ainda mais se adivinha, difícil.

Não acredito em nacionalismos mas, na medida em que vivemos num país, é dentro deste que melhor temos oportunidade de nos organizarmos. E dentro deste – na nossa comunidade.

Se temos dinheiro, fixe para nós. Pessoalmente, acho que ninguém merece nem ser rico, nem ser pobre, mas a minha filosofia pessoal não interessa. O que interessa  é que o facto de termos mais dinheiro que outra pessoa qualquer não faz com que mereçamos o direito de termos mais do que outra pessoa qualquer, especialmente em tempos de crise. Há pessoas que só podem comprar aos poucos. E há ainda pessoas, que até têm dinheiro, mas tentam ser cívicas e quando chegam ao super-mercado, há pouca coisa.

Vacilamos na nossa moralidade, uns mais, outros menos, e essa pessoa que até podia ter comprado e não comprou, e depois ficou com pouco, pode ver na prateleira vazia o empurrão que lhe faltava para abdicar de mais um pedacinho da sua humanidade.

Dizer-se que o mundo é cão não nos dá permissão para agirmos como… um cão.

E, na verdade, o mundo não é cão. Ou até pode ser. Se for daqueles cães que, tanto rouba a comida ao amigo, como o vai buscar ao meio da estrada quando é atropelado.

Porque, tanto as pessoas são capazes de andar à porrada por causa de papel higiénico (USEM ÁGUA) como são capazes de vir da reforma para ajudarem os seus colegas profissionais da saúde. Há artistas que dão concertos grátis on-line, jovens que se disponibilizam para fazer as compras pelos mais velhos, instrutores de fitness que dão aulas on-line, pessoas que se organizam em grupos no Facebook e Whatsapp para partilhar informação…

Mas, é verdade… também há partilhas de natureza mais perniciosa… Não sei se é por um mórbido desejo de anónima fama, ou se é como um estranho desejo de motivar as autoridades, não sei se é por mal-entendidos.

Não sei se, na maior parte das vezes, é bem ou mal-intencionado, mas sei que acontece. E sei que, pelo menos de parte das pessoas que partilha, a intenção é boa. Mas não funciona. Por isso tenham cuidado com o que partilham. Há pessoas especializadas a trabalhar nisto dezasseis horas por dia, mundo fora, todos unidos com o propósito de nos ajudar a ultrapassar este problema. As dúvidas em relação a quem nos governa são, geralmente, úteis, mas em tempos destes, especialmente se forem infundadas, ou meras conjeturas, servem para pouco mais que desestabilizar alguém que está tentar fazer o melhor que pode.

Sim, eu acho que eles estão a fazer o melhor que podem. Não me surpreende que haja quem ache que não estão a fazer um bom trabalho, mas surpreende-me que haja quem ache que não se estão a esforçar.

Achamos que têm acontecido erros e dizemo-lo como se fosse uma certeza. Falamos em fechar fronteiras como se isso fosse a coisa mais simples do mundo, como se não houvesse, de quem nos governa, uma longa hierarquia de problemas, e dizemo-lo não entendendo realmente o que significa um estado de emergência. Pois nós tendemos a ver apenas a nossa primeira prioridade, a saúde, e a vê-la só agora. Esquecemos que haverá um grande impacto económico que, mais do que tirar dinheiro aos ricos, significará um rombo nos cofres do estado sentido também pelos pobres.

E pela saúde. Está tudo ligado e é difícil lidar com um fenómeno destes, que nunca aconteceu no nosso tempo de VIDA, com cem por cento de eficácia ficando bem em todas as frentes.

Eu não sei se se devia ter fechado as fronteiras mais cedo. Acho que sim. Mas o que eu acho não é uma ciência, há muito que me passa ao lado e não quero ter a arrogância de achar que o sei. Assim, vou-me ficando por aquilo que eu posso fazer, como fechar a minha própria fronteira, e ficar em casa. Não gosto. Posso passar dias seguidos em casa e isso não me faz mossa. Mas não gosto de ter de ficar. Mas fico.

Sublinho que não acho que nos devamos abster de criticar, mas pensar, no mínimo, analisar que conhecimento de causa possuímos e se a nossa crítica vai ser profícua ou vai servir para destabilizar.

É por isso que partilho este vídeo que apresenta poucas certezas e um ou dois conselhos que creio serem ponderados.

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